Instituto Brasileiro de Ação Responsável

Autocuidado: especialistas defende a prática como uma das saídas para o aprimoramento do SUS

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Mesa técnica 1

O “Fórum Internacional - 30 anos do SUS”, realizado no auditório do Interlegis, em Brasília, no último dia 26, recebeu diversos especialistas da área da saúde pública e privada do Brasil e do exterior. Os profissionais falaram, em linhas gerais, sobre as conquistas e os desafios do SUS, bem como as principais ações que vêm sendo implementadas para que aconteça a efetiva modernização do sistema. Além disso, os palestrantes abordaram a importância de parcerias entre governo, empresas, organizações não governamentais, bem como as recentes inovações na área.

A moderação do painel ficou a cargo do procurador federal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio César Silva Mallet. Ele afirmou que os desafios são imensos quando se fala de SUS, mas que o diálogo não pode faltar. "É por meio de discussões como essas que o sistema terá condições de ter um norte. "Muito se fala, muito se critica, mas poucos colocam [o SUS] como algo grandioso", ponderou.
 
Uma experiência que vem contribuindo para a ampliação do acesso e melhoria no atendimento da Saúde pelo SUS foi apresentada pela coordenadora geral de base química e biotecnológica da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Mirna Poliana Furtado de Oliveira. Segundo a especialista, o governo trabalha para estimular parcerias para o desenvolvimento produtivo que estimulam os laboratórios a produzir medicamentos e produtos para a saúde, a transferência de tecnologia para os laboratórios públicos, reduzir a vulnerabilidade do SUS. Dessa forma, o acesso ao sistema é ampliado, dependência produtiva e tecnológica é reduzida, e as compras do Estado podem ser racionalizadas. Pacientes de doenças como Hepatite C, HIV e algumas doenças raras, já se beneficiam dessas PDPs. "Vários medicamentos como esses estão disponíveis para os usuários do sistema público, com um custo menor para o governo”, lembrou.
 
A assessora técnica da Coordenação de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Danielle Keyla Alencar Cruz, por sua vez, compartilhou a experiência que o Ministério tem realizado no desenvolvimento de ações de promoção da saúde para incentivar a população a ter autocuidado. Ela afirmou que é preciso elaborar guias de atividades físicas para a população, para fortalecer a promoção da saúde e seus cuidados na atenção básica. Danielle salientou ainda que, ao se falar em saúde, é necessário ter acesso a serviços públicos de qualidade, sem contar as condições de saneamento, trabalho, renda, educação e lazer. “Além disso, o termo 'promoção à saúde' não tem uma definição simples. Ele abarca elementos relacionados à governança, à qualidade de vida e à decisões políticas de governo. É um conceito amplo que não é resumido a procedimentos clínicos”, explicou.

A coordenadora na ONG White Ribbon Alliance, Alexia Escobar, apresentou o projeto que realizou em comunidades indígenas na Bolívia. A especialista esclareceu que o projeto teve dois grandes objetivos.O primeiro foi aumentar o conhecimento entre as mulheres gestantes sobre a importância da alimentação balanceada durante a gravidez e a amamentação. O segundo foi oferecer conhecimento sobre os seus próprios direitos, como o benefício em dinheiro, disponibilizado pelo país, a gestantes para que possam comprar alimentos de qualidade e realizar o pré-natal. “O projeto incluiu ainda oficinas sobre a importância do controle de natalidade para líderes indígenas que, posteriormente, foram em suas comunidades para replicar o conhecimento”, disse. Além disso, Escobar contou ainda que na Bolívia, há um sistema de saúde comunitária de médicos que chegam nas comunidades para informar sobre os principais programas da saúde.
 
Já o coordenador geral do Fundo Posithivo, Harley Nascimento, afirmou que a criação do SUS se deve também aos movimentos sociais do Brasil, assim como o movimento social de HIV/Aids. O êxito se dá com alianças entre o público e o privado. "O Brasil foi considerado nos anos 90 como o país com o melhor programa de enfrentamento contra AIDS. Em 96, fomos matéria de página inteira do New York Times”, contou . O Fundo PositHiVo, de acordo com o palestrante, trabalha no campo do HIV/Aids e das Hepatites Virais. Ele foi criado em 2014 com uma missão muito especial: mobilizar recursos para financiar instituições que trabalham com a causa dessas enfermidades. Pelo país, são centenas de Organizações da Sociedade Civil que se dedicam a fortalecer ações de prevenção, assistência e garantia dos direitos humanos das pessoas que vivem e convivem com HIV e com hepatites.
 
Para finalizar, o promotor titular de defesa da saúde (MPDFT), Jairo Bisol, revelou que eventos como esse celebra a luta social pelo SUS que tem imensos desafios desde a sua origem. “Alguns são clássicos, como a falta de uma definição de um modelo de gestão, o financiamento também é um problema crônico, assim como o redimensionamento de recursos financeiros. Além disso, não temos uma base financeira e o modelo de atenção é outra questão que estamos discutindo há anos” finalizou o promotor.
 
Antes dos painéis técnicos, o Fórum Internacional - 30 anos do SUS e o autocuidado para a promoção da saúde foi aberto em uma solenidade que contou com a presença da presidente do Instituto Brasileiro de Ação Responsável, Clementina Moreira Alves, do ex-ministro da Saúde, o deputado federal Saraiva Felipe (MDB/MG), do diretor substituto do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde, Allan Sousa, do representado no Brasil da UNFPA, Jaime Nadal Roig, do presidente do Conselho Nacional de Saúde, Ronald Ferreira dos Santos, e da assessora técnica do CONASS, Alessandra Schneider.
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